Ah, o Natal…
Novembro 29, 2007 at 3:45 pm | In Natal, comportamento, consumismo, consumo, sociedade, valores | No CommentsOutra coisa que chega com o fim do ano é o Natal, e as ruas de vitória já começam a ser palco de decorações e mais decorações. Árvores de Natal, piscas-piscas e papais noéis pra todo lado! “É o espírito do natal, ou a religiosidade das pessoas se manifestando”, diriam alguns.
Porém, na verdade, muito mais do que cristandade, os enfeites de natal demonstram o consumismo da nossa sociedade. O comércio é o primeiro a se enfeitar: mal começa novembro e shoppings e lojas já estão piscando! Já ouvi que isso acontece porque assim as pessoas se lembram que tem que comprar presentes, e o comercio se movimenta por mais tempo. Imagina se os enfeites viesse uma semana antes do natal… Seria apenas uma semana de vendas intensas! Faz sentido. É a velha questão: Natal ou Espetáculo?
O vídeo mostra bem isso, apesar do tom nostálgico. Mostra também que acabamos nos envolvendo com as comprar e tal. Todos sabem que é muito difícil fugir desse consumismo natalino… Superziper também fala disso, ao sugerir que, já que temos que comprar presentes mesmo, compremos coisas artesanais.
Vest Ufes
Novembro 22, 2007 at 5:11 pm | In Sociologia, comportamento, cotas, sociedade, valores, vestibular | 4 CommentsChega o fim do ano, começa a época dos vestibulares. Domingo, dia 27, às duas da tarde, será a vez da Ufes. Esse ano são 3295 vagas, e a novidade é que 40% são para as cotas.
Na primeira fase do vestibular, tudo continua igual. As cotas só vão valer para a segunda fase, que só ocorre em dezembro. Essa discussão já rendeu bastante desde a aprovação das cotas na Ufes, muita gente já apresentou os prós e os contras.
O que chamou a minha atenção, porém, foi a visão apresentada no blog Reflexos na Água. Ele fala, por meio de uma metáfora, que as cotas representam um avanço em realação à inclusão de jovens de origem popular na universidade, mas é um avanço que encobre o verdadeiro problema. É como se os defensores das cotas estivessem tirando de si a responsabilidade por alguma mudança maior na estrutura da educação brasileira.
É interessante essa visão porque, de fato, muitos de nós sabemos da necessidade de mudança que há não só na educação, mas em uma série de estruturas da sociedade atual. E queremos fazer algo, queremos melhoras. As cotas surgem, assim, como uma atitude daqueles que visam tranformar. Mas transformam? Diria um amigo meu : “pelo menos ajudam!”
Novamente, estudantes de comunicação fazendo o seu apelo à mudança…
Un poquito de tanta verdad
Novembro 8, 2007 at 2:14 pm | In México, comparação de culturas, internacional, política, relações de poder, sociedade, valores | 3 CommentsO título acima é de um documentário que fala sobre a situação do estado de Oaxaca, o mais pobre do México, durante boa parte do ano passado. Ele está circulando entre os alunos de Comunicação da Ufes, e possui a marca Crative Commonds. Confira os primeiros dez minutos da documentário:
Tudo começou com uma greve de professores por melhores condições de ensino, e então se formou a Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca(APPO). A APPO ganhou força com rádios comunitárias (também crescentes no Brasil, segundo Dialógico), que divulgava suas ações, já que os meios de televisão e rádios tradicionais distorciam completamente os fatos.
A APPO tinha como principal objetivo a retirada do governador Ulises Ruiz, que segundo ela era corrupto e foi eleito por uma fraude. A situação, porém, se tornou crítica, pois a APPO praticava ações não violência e a desobediência civil para provocar a ingovernabilidade de Ruiz. O governo respondeu com perseguições e prisões, criando um clima semelhante ao das ditaduta militares na américa do sul, como a vivida no Brasil.
O interessante (e triste) é que isso tudo quase não foi divulgado. Só quando um cinegrafista de Nova York morreu em Oaxaca, após cinco meses de conflitos, a mídia em geral publicou sobre o acontecido. Esse é o nosso jornalismo…
“Homem quebrado …”
Novembro 8, 2007 at 1:06 am | In comportamento, sociedade, valores | 2 CommentsNinguém está imune à ouvir conversas no ônibus. Tal fato se potencializa com os atuais - e constantes- engarrafamentos na cidade de Vitória.
Eram dois rapazes conversando. Um sério, retraído, dizia que não tinha tempo de ir para os rocks porque estava estudando. O outro, escandaloso e atendendo perfeitamente ao estereótipo de playboy, falava, entre uma fofoca e outra, que estudar não levava a nada.
Porém, sem perceber, ele tocou em um assunto interessante ao dizer: “Homem quebrado não tem piru”.
Ou seja, se o rapaz não tem dinheiro, é como se perdesse sua masculinidade, pois perde sua capacidade de conquista. É como diz o Papo de Homem, ao indicar para os homens que tenham uma marca registrada, ou seja, um carinho especial, ou um beijo diferente:
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Se você tiver essa marca registrada na garagem, também serve.
Mas será que os jovens pensam assim mesmo? Em uma pesquisa realizada com alguns transeuntes da Ufes, os homens foram unânimes ao afirmar as mulheres levam em consideração o dinheiro, e que portanto ele e conquista estão relacionados. “Mulher procura segurança, e o dinheiro dá”, arfima um deles. “Elas querem caras bem sucedidos, e não uns fracassados”, fala outro. As mulheres, por sua vez, em sua maioria negaram a afirmação. “É um absurdo! Existem mulheres que pensam no dinheiro do cara, mas não podemos generalizar!”
E você, o que acha?
Divisor de Gerações
Setembro 20, 2007 at 2:59 pm | In revistas, sociedade, tecnologia, valores | 2 CommentsAs mudanças que a internet vem proporcionando de uns anos pra cá marcaram época, e para alguns dão início a uma civilização on line. Essa mudanças abrangem todos os âmbitos da nossa vida, desde os relacionamentos até o modo de trabalhar.
A nova civilização é assim caracterizada porque já existem pessoas que nunca viveram numa época sem a velocidade das tecnologias atuais, sem a internet. Ela seriam um divisor de gerações porque cria um novo modo de ver a realidade, ou de escapar dela. É o caso de jogos como o Second Life e o GuildWars, no qual as pesssoas criam avatares e fazem coisas que gostariam de fazer na vida real, mas por algum motivo não fazem.
(foto retira de El blog de Serantes)
Não é possível ignorar, porém, a carga negativa e o preconceito que a geração não nascida na era da internet (como eu) tem em relação a ela. Internet ainda soa como algo individual, que priva as pessoas de relações reais, de atividades à luz do dia, essas coisas. Ainda que alguns especialistas aleguem que a falta de tempo para refletir provocada pela internet prejudica o amadurecimento das pessoas, ela difunde conhecimentos e nos faz melhores. Epa, como assim?
É a opinião de Kevin Kelly, criador da revista Wired. Ele diz em uma artigo publicado na revista Veja Tecnologia, em agosto desse ano, que a principal contribuição da tecnologia é a possibilidade de escolhas, e que devemos buscar sempre tecnologias melhores, que ampliem o nosso leque de oportunidades. Para ele, a escolha funciona melhor quando há valores para guiá-la.
“De qualquer forma, considero que a tecnologia é necessária para o aprimoramento humano, da mesma maneira que a civilização”.
Nós, que vivemos bem essa transição, já sentimos que esse é um caminho sem volta. Não há como fingir que as tecnologias e a internet não existem, e que elas não melhoram a nossa vida. Porque, de fato, melhoram.
Tragédias humanas
Setembro 18, 2007 at 12:44 am | In cinema, literatura, sociedade, valores | 3 CommentsTer um bom emprego, ser bem sucedido e ter uma família linda: essa é a descrição do que muitas pessoas imaginam para o seu futuro. Porém, elas não escapam das imperfeições e fraquezas humanas. Este é um tema muito bem trabalhado no filme “Instinto Secreto”, o segundo dirigido por Bruce A. Evans.
O filme conta a história de Mr. Brooks, um empresário (Kevin Costner) que tinha tudo, mas escondia um vício: matar pessoas. Ele estava há dois anos sem alimentar o vício, mas tem uma recaída e é flagrado por um jovem engenheiro. Além disso, é investigado por uma policial (Demi Moore). A partir daí, a trama se desenrola.
A grande crítica do filme é em relação às tragédias humanas. Lembrou- me imediatamente de Rubem Fonseca, o escritor que para alguns inaugurou uma nova corrente literária – a brutalista. Assim como o filme de Evans, Rubem Fonseca aborda a violência urbana e a solidão, envolvidas em tramas policiais, como forma de mostrar a hipocrisia das elites regionais. Isso é evidenciado em suas obras como os contos Passeio Noturo I e II, do livro Feliz Ano Novo.
Como no filme, o conto fala de um homem que matava pessoas – neste caso, para aliviar o stress do dia-a-dia. A fragilidade da vida, a podridão do ser humano e a vontade sempre presente de transgredir regras são muito bem exploradas em ambas as narrativas. Fica a dica de um ótimo livro e de um filme que prende à atenção do início ao fim.

Rubem Fonseca
10 coisas para ter antes de morrer
Setembro 16, 2007 at 6:30 pm | In consumo, revistas, sociedade, valores | 5 CommentsQue nós vivemos no capitalismo, e que o individualismo e os projetos pessoais são super-valorizados nós já sabemos. Isso se mostra muito presente na mídia e onde quer que paremos para percebê-los.
Foi numa dessas revistas para mulheres.. edição especial da Veja. O título da “reportagem” era “10 coisas para ter antes de morrer”. Eram tópicos, cada um por página, apenas descrevendo o produto e ilustrados com uma foto dele. O primeiro era um jogo de lençóis de algodão egípicio, seguido por coisas como um par de sapatos Manolo Blahnik, um anel solitário de 2 quilates da Tiffany, o celular touch screen da LG com design Prada, entre outros.
São os meios de comunicação trabalhando arduamente para a imposição de padrões de vida e, principalmente, de consumo. Vamos pensar nas pessoas que não podem comprar o que diz uma revista que todos devem ter. Está excluída. Ou até mesmo em quem pode comprar mas se questiona “porque eu tenho que querer isso?”. Outra excluída. Mais uma prova da veracidade da seguinte afirmação: o critério de inclusão é a capacidade de consumo. Se você não consome, está fora. Sinto Muito. Ninguém vai se importar com isso.
Mas a melhor parte da “reportagem” ainda não foi dita: a décima coisa para se ter. “Um dia inteirinho só para você - de folga do trabalho, dos filhos e do marido. Para se divertir, ir à massagem ou pensar na vida”. É quase como um consolo: se você é excluída e não pode comprar, tire o dia livre. Além de encarar como um fardo os papéis sociais que a maioria das mulheres assume: mãe, esposa e profissional.
As revistas femininas em geral esquecem que, talvez, os objetivos da vida não se resumam a consumir. E que ainda existem pessoas que percebem isso claramente…
Simpsons - O filme
Setembro 6, 2007 at 4:12 pm | In cinema, meio ambiente, sociedade, valores | 3 CommentsCríticas nunca faltaram no seriado Simpsons, existente há 20 anos e transmitido semanalmente na TV americana há 19. A crítica da vez, principal tema do filme - em cartaz desde o dia 27 de julho - é em relação ao meio ambiente. A politicamente correta Lisa se engaja nessa luta pela despoluição do lago Springfield, e seu próprio pai o polui de uma forma que o governo passa a interferir no destino da cidade.
Fazendo jus ao seriado, é evidente no filme a crítica bem humorada sobre o modo de vida , a sociedade e o pensamento do norte-americano. A começar pelo fato de ninguém se importar com o meio ambiente, das pessoas fecharem as portas na cara de Lisa e vaiarem o cantor que alerta para este perigo. Vamos ver até quando a natureza aguenta, então…
O filme também levanta algumas outras questões interessantes, em cenas curtas e marcantes. É o caso da reação das pessoas na hora do perigo: os que estavam na Igreja vão ao bar, e os que estavam no bar vão à Igreja. É uma falta de referências presente na sociedade: ninguém sabe direito ao que se apegar, e, na dúvida, se apegam às duas opções..
O mais marcante em todo filme, porém, é o nosso querido Holmer. Como ele consegue ser tão perdedor? Chega a ser incômodo. Há a cena em que brinca com o filho, o desafiando a fazer coisas infantis e não admitindo sua culpa; outra em que Bart chora por não ter um pai atencioso e Holmer beija a barriga de seu porco-aranha de estimação; e mais uma em que tudo que ele faz dá errado.
Holmer é o típico cara que tem bom coração, mas que só pensa nele mesmo, não tem consciência política nenhuma, não pensa na consequência dos seus atos, faz tudo sem más intenções e sempre se dá mal. Para Wiliam Bonner, os telespectadores do Jornal Nacional são todos “Holmer”. Uma bela visão da nossa sociedade, não?
Enfim, depois de 158 versões, o resultado final de Simpsons - O Filme ficou muito bom! E vale a pena refletir sobre as críticas presentes nele!
Confiram o trailer (dublado):
Holisticamente
Setembro 5, 2007 at 3:35 pm | In literatura, relações de poder, sociedade, valores | 3 CommentsConta Luis Fernando Verissimo a história de um casal. A esposa era muito culta, sábia, e sempre falava sobre todos os assuntos nos encontros com os amigos. O marido, porém, era mais quieto, e sempre que abria a boca pra falar a esposa o reprimia, dizendo que ele só falava besteira.
Um dia, cansados daquilo, os amigos se reuniram e treinaram o marido. Combinaram um encontro e, depois de um longo discurso da esposa, o marido falou que discordava dela. Ela quase teve um troço! Como assim? Do que ele estava falando? “Você não está vendo a coisa holisticamente”, disse o marido. Daí em diante, a esposa teve tanto orgulho do marido que até a vida sexual dos dois melhorou.
Essa pequena história, presente no livro “O Melhor das Comédias da Vida Privada”, mostra a importância que damos a termos tidos como difíceis. Se uma pessoa fala com pompa e segurança, nem importa o que ela disse. O mesmo vale para os textos acadêmicos. Havia uma época em que o “intelectual” era o que não era acessível a todos.
Muitas críticas vieram, como mostra o Caso Sokal. Segundo Alan Sokal, muitos intelectuais “abusam da ciência”, e diz que textos incompreencíveis podem não dizer nada. Alguns usam como argumento que tornar textos científicos mais fáceis de ler é dizer que os pessoas não tem capacidade para compreendê-los. Pode ser. Mas abusar de palavras pomposas para se vangloriar da ignorância dos outros, como fazem alguns, é erro crasso. Aposto que eles não vêem a coisa holisticamente.
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