Sim à Vida
Outubro 4, 2007 at 2:07 am | In animais, modo de vida, música, revistas, sociedade | 2 CommentsInformações sobre o Straight Edge nos deixaram bem interessados. O grupo era até então desconhecido por mim e pela maioria dos que estavam assistindo à apresentação dos veteranos de comunicação social sobre um grupo étnico.
O Straight Edge representa um modo de vida associado ao Punk e ao Hard Core. Os straight-edges levantam algumas bandeiras interessantes, como o não ao uso do tabaco e bebidas, o vegetarianismo, a sustentabilidade e a negação a todo tipo de alienação e preconceito.
A letra X é o símbolo do Straight Edge
No Brasil, o grupo se matifesta bastante em defesa dos animais. Essa postura se relaciona com a de grupos como o WSPA, a Sociedade Mundial de Proteção ao Animal.
Recentemente, tem surgido uma preocupação maior com o destino de animais em catástrofes como furacões e terremotos. ONG´s e grupos como o WSPA têm mobilizado milhões de pessoas, que dirigem caminhões para levar os animais a locais seguros, levam macas, remédios e até mascaras de oxigênio.
Eu nuca tinha pensado nisso: na hora do desespero, a maioria das pessoas foge e esquece dos animais! É legal ver as pessoas se preocupando com os bichinhos. Interessante é o que está escrito no blog Pet Friendly :
“A prioridade são as pessoas, dirão muitos. Errado! A prioridade é sempre a vida”
Divisor de Gerações
Setembro 20, 2007 at 2:59 pm | In revistas, sociedade, tecnologia, valores | 2 CommentsAs mudanças que a internet vem proporcionando de uns anos pra cá marcaram época, e para alguns dão início a uma civilização on line. Essa mudanças abrangem todos os âmbitos da nossa vida, desde os relacionamentos até o modo de trabalhar.
A nova civilização é assim caracterizada porque já existem pessoas que nunca viveram numa época sem a velocidade das tecnologias atuais, sem a internet. Ela seriam um divisor de gerações porque cria um novo modo de ver a realidade, ou de escapar dela. É o caso de jogos como o Second Life e o GuildWars, no qual as pesssoas criam avatares e fazem coisas que gostariam de fazer na vida real, mas por algum motivo não fazem.
(foto retira de El blog de Serantes)
Não é possível ignorar, porém, a carga negativa e o preconceito que a geração não nascida na era da internet (como eu) tem em relação a ela. Internet ainda soa como algo individual, que priva as pessoas de relações reais, de atividades à luz do dia, essas coisas. Ainda que alguns especialistas aleguem que a falta de tempo para refletir provocada pela internet prejudica o amadurecimento das pessoas, ela difunde conhecimentos e nos faz melhores. Epa, como assim?
É a opinião de Kevin Kelly, criador da revista Wired. Ele diz em uma artigo publicado na revista Veja Tecnologia, em agosto desse ano, que a principal contribuição da tecnologia é a possibilidade de escolhas, e que devemos buscar sempre tecnologias melhores, que ampliem o nosso leque de oportunidades. Para ele, a escolha funciona melhor quando há valores para guiá-la.
“De qualquer forma, considero que a tecnologia é necessária para o aprimoramento humano, da mesma maneira que a civilização”.
Nós, que vivemos bem essa transição, já sentimos que esse é um caminho sem volta. Não há como fingir que as tecnologias e a internet não existem, e que elas não melhoram a nossa vida. Porque, de fato, melhoram.
10 coisas para ter antes de morrer
Setembro 16, 2007 at 6:30 pm | In consumo, revistas, sociedade, valores | 5 CommentsQue nós vivemos no capitalismo, e que o individualismo e os projetos pessoais são super-valorizados nós já sabemos. Isso se mostra muito presente na mídia e onde quer que paremos para percebê-los.
Foi numa dessas revistas para mulheres.. edição especial da Veja. O título da “reportagem” era “10 coisas para ter antes de morrer”. Eram tópicos, cada um por página, apenas descrevendo o produto e ilustrados com uma foto dele. O primeiro era um jogo de lençóis de algodão egípicio, seguido por coisas como um par de sapatos Manolo Blahnik, um anel solitário de 2 quilates da Tiffany, o celular touch screen da LG com design Prada, entre outros.
São os meios de comunicação trabalhando arduamente para a imposição de padrões de vida e, principalmente, de consumo. Vamos pensar nas pessoas que não podem comprar o que diz uma revista que todos devem ter. Está excluída. Ou até mesmo em quem pode comprar mas se questiona “porque eu tenho que querer isso?”. Outra excluída. Mais uma prova da veracidade da seguinte afirmação: o critério de inclusão é a capacidade de consumo. Se você não consome, está fora. Sinto Muito. Ninguém vai se importar com isso.
Mas a melhor parte da “reportagem” ainda não foi dita: a décima coisa para se ter. “Um dia inteirinho só para você - de folga do trabalho, dos filhos e do marido. Para se divertir, ir à massagem ou pensar na vida”. É quase como um consolo: se você é excluída e não pode comprar, tire o dia livre. Além de encarar como um fardo os papéis sociais que a maioria das mulheres assume: mãe, esposa e profissional.
As revistas femininas em geral esquecem que, talvez, os objetivos da vida não se resumam a consumir. E que ainda existem pessoas que percebem isso claramente…
A Elite é o Lado Bom do Brasil
Setembro 5, 2007 at 10:52 am | In relações de poder, revistas, sociedade | 1 CommentEssa chamada realmente chamou a atenção, com o perdão do trocadilho. Ela foi usada para falar de um livro lançado pelo sociólogo Alberto Carlos Almeida, entitulado “A Cabeça do Brasileiro“. O livro consiste em uma pesquisa de campo realizada pelo instituto DataUff, da Federal Fluminense. Foram entrevistadas 2363 pessoas de 103 munípios diferentes, e elas respondiam a perguntas como “Se os moradores permitirem, os empregados devem usar o elevador social?”. Logicamente, a maioria das pessoas com nível superior respondia que sim, e a maioria dos analfabetos respondia que não.
Dessa forma, a reportagem reduz todas as divergências de opinião ao nível de ensino que a pessoa recebeu. E o contexto social? Uma pessoa usou elevador de serviço a vida toda. Por que, do nada, vai achar que deve usar o elevador social? Ela não tem ética e valores por causa disso? Francamente.
O que mais se destaca na reportagem, publicada na revista Veja do dia 22 de agosto de 2007 (sério?), é que só se começa a falar do livro na segunda página. Até então, é dito como a elite é boa para o Brasil, porque ela traz a modernidade, ela tem os pensamentos “certos”, tem a “iniciativa, energia criadora, conhecimento avançado e valores democráticos” necessários para desenvolver o país. Pobre do que não tem dinheiro! (outro trocadilho…)
A impressão que se tem é que com dinheiro e estudos você sabe o que é ético, e sem dinheiro e escolaridade você apenas perpetua a desigualdade. Sim, quem é pobre quer ser pobre!
Agora sim, a cabeça do brasileiro foi desvendada… E viva a elite do Brasil!
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