Un poquito de tanta verdad

Novembro 8, 2007 at 2:14 pm | In México, comparação de culturas, internacional, política, relações de poder, sociedade, valores | 3 Comments

O título acima é de um documentário que fala sobre a situação do estado de Oaxaca, o mais pobre do México, durante boa parte do ano passado. Ele está circulando entre os alunos de Comunicação da Ufes, e possui  a marca Crative Commonds. Confira os primeiros dez minutos da documentário:

Tudo começou com uma greve de professores por melhores condições de ensino, e então se formou a Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca(APPO). A APPO ganhou força com rádios comunitárias (também crescentes no Brasil, segundo Dialógico), que divulgava suas ações, já que os meios de televisão e rádios tradicionais distorciam completamente os fatos. 

A APPO tinha como principal objetivo a retirada do governador Ulises Ruiz, que segundo ela era corrupto e foi eleito por uma fraude. A situação, porém, se tornou crítica, pois a APPO praticava ações não violência e a desobediência civil para provocar a ingovernabilidade de Ruiz. O governo respondeu com perseguições e prisões, criando um clima semelhante ao das ditaduta militares na américa do sul, como a vivida no Brasil.

O interessante (e triste) é que isso tudo quase não foi divulgado. Só quando um cinegrafista de Nova York morreu em Oaxaca, após cinco meses de conflitos, a mídia em geral publicou sobre o acontecido. Esse é o nosso jornalismo…

Participação na Política

Setembro 13, 2007 at 4:06 pm | In política, relações de poder, sociedade | 1 Comment

Na primeira semana de setembro, a semana da pátria, ocorreu em todo o Brasil um plebiscito popular entitulado “A Vale é Nossa”. O plebiscito visava consultar a população sobre a privatização da empresa CVRD, cuja legalidade é questionável, uma vez que a empresa foi leiloada por muito menos do que valia e, segundo alguns juristas, desrespeitou a Lei de Licitação.

Tudo bem. Mas o que é um plebiscito? Está na Wikipédia: 

“é uma consulta ao povo antes de uma lei ser constituída, de modo a aprovar ou rejeitar as opções que lhe são propostas.”

Os movimentos sociais, pastorais e centrais sindicais que organizaram o plesbiscito se propuseram a isso: pediram audiência com o governo federal e se dirigem a candidatos a eleições pedindo um posicionamento.

Mas e a população? É traço marcante na nossa sociedade a falta de participação nas questões políticas, bem como o descrédito com os políticos. A grande mídia faz questão de sustentar ativamente o quanto nossos políticos são corruptos, e o quanto nós precisamos cada vez menos do Estado.

Por isso, o debate levantado pelo plebiscito é interessante: faz as pessoas pensarem na coresponsabilidade que têm pelas decisões tomadas em seu país. Faz as pessoas refletirem sobre a necessidade do Estado como órgão administrador e regulador da sociedade, pra garantir o seu bom funcionamento.

Colocado o debate, parece que a maioria das pessoas é contra a privatizalção: já exitem mais de 100 ações na justiça contra ela!

Uma crítica ao plebiscito é em relação às perguntas, que claramente induziam à resposta negativa. Mas essa crítica não anula o fato de que ele troxe benefícios para a população   por colocar questões importantes em discussão.

O vídeo abaixo mostra as perguntas (e respostas…) do plebiscito:

Holisticamente

Setembro 5, 2007 at 3:35 pm | In literatura, relações de poder, sociedade, valores | 3 Comments

Conta Luis Fernando Verissimo a história de um casal. A esposa era muito culta, sábia, e sempre falava sobre todos os assuntos nos encontros com os amigos. O marido, porém, era mais quieto, e sempre que abria a boca pra falar a esposa o reprimia, dizendo que ele só falava besteira.

Um dia, cansados daquilo, os amigos se reuniram e treinaram o marido. Combinaram um encontro e, depois de um longo discurso da esposa, o marido falou que discordava dela. Ela quase teve um troço! Como assim? Do que ele estava falando? “Você não está vendo a coisa holisticamente”, disse o marido. Daí em diante, a esposa teve tanto orgulho do marido que até a vida sexual dos dois melhorou.

Essa pequena história, presente no livro “O Melhor das Comédias da Vida Privada”, mostra a importância que damos a termos tidos como difíceis. Se uma pessoa fala com pompa e segurança, nem importa o que ela disse. O mesmo vale para os textos acadêmicos. Havia uma época em que o “intelectual” era o que não era acessível a todos.

Muitas críticas vieram, como mostra o Caso Sokal. Segundo Alan Sokal, muitos intelectuais “abusam da ciência”, e diz que textos incompreencíveis podem não dizer nada. Alguns usam como argumento que tornar textos científicos mais fáceis de ler é dizer que os pessoas não tem capacidade para compreendê-los. Pode ser. Mas abusar de palavras pomposas para se vangloriar da ignorância dos outros, como fazem alguns, é erro crasso. Aposto que eles não vêem a coisa holisticamente.

A Elite é o Lado Bom do Brasil

Setembro 5, 2007 at 10:52 am | In relações de poder, revistas, sociedade | 1 Comment

Essa chamada realmente chamou a atenção, com o perdão do trocadilho. Ela foi usada para falar de um livro lançado pelo sociólogo Alberto Carlos Almeida, entitulado “A Cabeça do Brasileiro“. O livro consiste em uma pesquisa de campo realizada pelo instituto DataUff, da Federal Fluminense. Foram entrevistadas 2363 pessoas de 103 munípios diferentes, e elas respondiam a perguntas como “Se os moradores permitirem, os empregados devem usar o elevador social?”. Logicamente, a maioria das pessoas com nível superior respondia que sim, e a maioria dos analfabetos respondia que não.

Dessa forma, a reportagem reduz todas as divergências de opinião ao nível de ensino que a pessoa recebeu. E o contexto social? Uma pessoa usou elevador de serviço a vida toda. Por que, do nada, vai achar que deve usar o elevador social? Ela não tem ética e valores por causa disso? Francamente.

O que mais se destaca na reportagem, publicada na revista Veja do dia 22 de agosto de 2007 (sério?), é que só se começa a falar do livro na segunda página. Até então, é dito como a elite é boa para o Brasil, porque ela traz a modernidade, ela tem os pensamentos “certos”, tem a “iniciativa, energia criadora, conhecimento avançado e valores democráticos” necessários para desenvolver o país. Pobre do que não tem dinheiro! (outro trocadilho…)

A impressão que se tem é que com dinheiro e estudos você sabe o que é ético, e sem dinheiro e escolaridade você apenas perpetua a desigualdade. Sim,  quem é pobre quer ser pobre! 

Agora sim, a cabeça do brasileiro foi desvendada… E viva a elite do Brasil!

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