Era uma vez…

Novembro 21, 2007 at 8:15 pm | In Blogosfera, Jornalismo, Luis Fernando Veríssimo, comportamento, literatura, sociedade | 2 Comments

Histórias bem contadas são as que covencem. Estas, porém, nem sempre são as verdadeira. Luis Fernando Veríssimo, em seu livro “As Mentiras que os Homens Contam” já despertou para o fato num conto que fala sobre um marido que perde a alinaça.

Ele teve que parar na estrada para trocar o pneu do carro, e como sua mão estava cheia de óleo, a aliança escorregou, sem querer ele chutou, ela foi para o meio do asfalto e um carro a jogou para dentro de um bueiro. Com medo de contar essa história para a esposa, que obviamente não acreditaria, ele diz que estava no motel com outra mulher e a aliança caiu no ralo da banheira. A reação da esposa? Perdou, pois pelo menos ele disse a verdade.

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O conto mostra como um fato bem contado pode parecer mais verdadeiro que a verdade em si. Essa situação é atualmente percebida em muitos jornais e redes de televisão, que contam o seu lado da história , e muito bem contado! Porém, uma alternativa as mídias tradicionais, e que estão entando cada vez mais no hábito de muitas pessoas, é a blogosfera.

Existem muito blogs de teor jornalístico, ainda que eles não sejam a maioria, que contam outras versões dos fatos. A principal vantagem que eles oferecem é que dão aos leitores a opção de escolherem em qual história elas querem acreditar, seja a da aliança no bueiro, seja a do ralo da banheira do motel.

Vídeo produzido por alunos de jornalismo

Tragédias humanas

Setembro 18, 2007 at 12:44 am | In cinema, literatura, sociedade, valores | 3 Comments

Ter um bom emprego, ser bem sucedido e ter uma família linda: essa é a descrição do que muitas pessoas imaginam para o seu futuro. Porém, elas não escapam das imperfeições e fraquezas humanas. Este é um tema muito bem trabalhado no filme “Instinto Secreto”, o segundo dirigido por Bruce A. Evans.

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 O filme conta a história de Mr. Brooks, um empresário (Kevin Costner) que tinha tudo, mas escondia um vício: matar pessoas. Ele estava há dois anos sem alimentar o vício, mas tem uma recaída e é flagrado por um jovem engenheiro. Além disso, é investigado por uma policial (Demi Moore). A partir daí, a trama se desenrola.  

A grande crítica do filme é em relação às tragédias humanas. Lembrou- me imediatamente de Rubem Fonseca, o escritor que para alguns inaugurou uma nova corrente literária – a brutalista. Assim como o filme de Evans, Rubem Fonseca aborda a violência urbana e a solidão, envolvidas em tramas policiais, como forma de mostrar a hipocrisia das elites regionais. Isso é evidenciado em suas obras como os contos Passeio Noturo I e II, do livro Feliz Ano Novo.

Como no filme, o conto fala de um homem que matava pessoas – neste caso, para aliviar o stress do dia-a-dia. A fragilidade da vida, a podridão do ser humano e a vontade sempre presente de transgredir regras são muito bem exploradas em ambas as narrativas. Fica a dica de um ótimo livro e de um filme que prende à atenção do início ao fim.

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                                                                        Rubem Fonseca

Holisticamente

Setembro 5, 2007 at 3:35 pm | In literatura, relações de poder, sociedade, valores | 3 Comments

Conta Luis Fernando Verissimo a história de um casal. A esposa era muito culta, sábia, e sempre falava sobre todos os assuntos nos encontros com os amigos. O marido, porém, era mais quieto, e sempre que abria a boca pra falar a esposa o reprimia, dizendo que ele só falava besteira.

Um dia, cansados daquilo, os amigos se reuniram e treinaram o marido. Combinaram um encontro e, depois de um longo discurso da esposa, o marido falou que discordava dela. Ela quase teve um troço! Como assim? Do que ele estava falando? “Você não está vendo a coisa holisticamente”, disse o marido. Daí em diante, a esposa teve tanto orgulho do marido que até a vida sexual dos dois melhorou.

Essa pequena história, presente no livro “O Melhor das Comédias da Vida Privada”, mostra a importância que damos a termos tidos como difíceis. Se uma pessoa fala com pompa e segurança, nem importa o que ela disse. O mesmo vale para os textos acadêmicos. Havia uma época em que o “intelectual” era o que não era acessível a todos.

Muitas críticas vieram, como mostra o Caso Sokal. Segundo Alan Sokal, muitos intelectuais “abusam da ciência”, e diz que textos incompreencíveis podem não dizer nada. Alguns usam como argumento que tornar textos científicos mais fáceis de ler é dizer que os pessoas não tem capacidade para compreendê-los. Pode ser. Mas abusar de palavras pomposas para se vangloriar da ignorância dos outros, como fazem alguns, é erro crasso. Aposto que eles não vêem a coisa holisticamente.

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