Holisticamente

Setembro 5, 2007 at 3:35 pm | In literatura, relações de poder, sociedade, valores | 3 Comments

Conta Luis Fernando Verissimo a história de um casal. A esposa era muito culta, sábia, e sempre falava sobre todos os assuntos nos encontros com os amigos. O marido, porém, era mais quieto, e sempre que abria a boca pra falar a esposa o reprimia, dizendo que ele só falava besteira.

Um dia, cansados daquilo, os amigos se reuniram e treinaram o marido. Combinaram um encontro e, depois de um longo discurso da esposa, o marido falou que discordava dela. Ela quase teve um troço! Como assim? Do que ele estava falando? “Você não está vendo a coisa holisticamente”, disse o marido. Daí em diante, a esposa teve tanto orgulho do marido que até a vida sexual dos dois melhorou.

Essa pequena história, presente no livro “O Melhor das Comédias da Vida Privada”, mostra a importância que damos a termos tidos como difíceis. Se uma pessoa fala com pompa e segurança, nem importa o que ela disse. O mesmo vale para os textos acadêmicos. Havia uma época em que o “intelectual” era o que não era acessível a todos.

Muitas críticas vieram, como mostra o Caso Sokal. Segundo Alan Sokal, muitos intelectuais “abusam da ciência”, e diz que textos incompreencíveis podem não dizer nada. Alguns usam como argumento que tornar textos científicos mais fáceis de ler é dizer que os pessoas não tem capacidade para compreendê-los. Pode ser. Mas abusar de palavras pomposas para se vangloriar da ignorância dos outros, como fazem alguns, é erro crasso. Aposto que eles não vêem a coisa holisticamente.

3 Comentários »

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  1. Muito felizes foram as suas observações sobre a holística da língua. De fato, existe grande admiração pelo que não conseguimos compreender (mesmo que não exista nada a ser compreendido).

    Isso me lembra muito o Caetano Veloso e as suas declarações prosopopéicas inadvertidamente estáticas tropicais.

    Mas há ainda o lado oposto da moeda: certa vez, quase tive um relatório científico rejeitado por ter usado em meu texto uma estrutura mais formal (nos moldes exigidos nos vestibulares). A professora alegou que o relatório era filosófico demais para um futuro engenheiro!

    Parabéns pelo blog! Grande idéia!

  2. Cris !!
    Meu Deus q blog é esse??? Óóóóótemo ! Com todos os ‘O’ e ‘E’ no meio q o internetez me permitir !!
    Virei fã…aliás eu já era seu fã…Mas agora eu virei fã de uma verdadeira jornalista !!
    =*
    Vou ficar viciado em 3 doses semanais de ‘idéias centrais’ na minha cabeça (com o perdão dos seus trocadilhos!) auheuaheuahuea

  3. Caraca, cris!
    Adorei… bem q a carol me disse q era bom! =]
    virei fã tbm!!!
    e… q bom saber q o caso sokal marcou! hahaha
    bjao

    jacy


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