Modos de Vestir

Setembro 30, 2007 at 12:49 pm | In consumo, sociedade, vestuário | 1 Comment

Existem várias maneiras de começar um diálogo. Os velhos “Você vem sempre aqui?” e “De onde eu te conheço?” ainda estão na ativa. Porém, existem meios não verbais as vezes muito mais eficazes, como o modo de se vestir.

O vestuário é uma das mais marcantes manifestações culturais. Ele diz muito da personalidade de cada um, insere (ou exclui) em uma categoria cultural ou classe social, e serve de tema para iniciar um diálogo social com outras pessoas. 

Vamos fazer um teste? Com qual destas pessoas você iniciaria um diálogo?

medica.jpg           surfista.jpg            emo.jpg

O vestuário engloba modos de vestir e que tipo de comportamentos ele sugere. É como mostram as fotos acima: o estetoscópio indica uma médica, culta, inteligente e com boa situação financeira; a roupa e a prncha no mar indicam um surfista; a franja e as roupas pretas indicam um emo.

São os sinais diacríticos: características que mostram a qual grupo cada pessoas pertence. Ao se relacionar com uma delas, você pode estar entranto em um novo grupo – pelo menos aos olhos dos outros. Isso explica o cuidado que a spessoas tem, na nossa cultura, ao escolher não só a sua própria roupa, mas também com que tipo de “roupas” elas querem andar. É, pessoas não valem tanto.

Divisor de Gerações

Setembro 20, 2007 at 2:59 pm | In revistas, sociedade, tecnologia, valores | 2 Comments

As mudanças que a internet vem proporcionando de uns anos pra cá marcaram época,  e para alguns dão início a uma civilização on line. Essa mudanças abrangem todos os âmbitos da nossa vida, desde os relacionamentos até o modo de trabalhar.

A nova civilização é assim caracterizada porque já existem pessoas que nunca viveram numa época sem a velocidade das tecnologias atuais, sem a internet. Ela seriam um divisor de gerações porque cria um novo modo de ver a realidade, ou de escapar dela. É o caso de jogos como o Second Life e o GuildWars, no qual as pesssoas criam avatares e fazem coisas que gostariam de fazer na vida real, mas por algum motivo não fazem.

 tecnologia.jpg

                                               (foto retira de El blog de Serantes)

 Não é possível ignorar, porém, a carga negativa e o preconceito que a geração não nascida na era da internet (como eu) tem em relação a ela. Internet ainda soa como algo individual, que priva as pessoas de relações reais, de atividades à luz do dia, essas coisas. Ainda que alguns especialistas aleguem que a falta de tempo para refletir provocada pela internet prejudica o amadurecimento das pessoas, ela difunde conhecimentos e nos faz melhores. Epa, como assim?

É a opinião de Kevin Kelly, criador da revista Wired. Ele diz em uma artigo publicado na revista Veja Tecnologia, em agosto desse ano, que a principal contribuição da tecnologia é a possibilidade de escolhas, e que devemos buscar sempre tecnologias melhores, que ampliem o nosso leque de oportunidades. Para ele, a escolha funciona melhor quando há valores para guiá-la.

“De qualquer forma, considero que a tecnologia é necessária para o aprimoramento humano, da mesma maneira que a civilização”.

Nós, que vivemos bem essa transição, já sentimos que esse é um caminho sem volta. Não há como fingir que as tecnologias e a internet não existem, e que elas não melhoram a nossa vida. Porque, de fato, melhoram.

Tragédias humanas

Setembro 18, 2007 at 12:44 am | In cinema, literatura, sociedade, valores | 3 Comments

Ter um bom emprego, ser bem sucedido e ter uma família linda: essa é a descrição do que muitas pessoas imaginam para o seu futuro. Porém, elas não escapam das imperfeições e fraquezas humanas. Este é um tema muito bem trabalhado no filme “Instinto Secreto”, o segundo dirigido por Bruce A. Evans.

instinto-secreto.jpg

 O filme conta a história de Mr. Brooks, um empresário (Kevin Costner) que tinha tudo, mas escondia um vício: matar pessoas. Ele estava há dois anos sem alimentar o vício, mas tem uma recaída e é flagrado por um jovem engenheiro. Além disso, é investigado por uma policial (Demi Moore). A partir daí, a trama se desenrola.  

A grande crítica do filme é em relação às tragédias humanas. Lembrou- me imediatamente de Rubem Fonseca, o escritor que para alguns inaugurou uma nova corrente literária – a brutalista. Assim como o filme de Evans, Rubem Fonseca aborda a violência urbana e a solidão, envolvidas em tramas policiais, como forma de mostrar a hipocrisia das elites regionais. Isso é evidenciado em suas obras como os contos Passeio Noturo I e II, do livro Feliz Ano Novo.

Como no filme, o conto fala de um homem que matava pessoas – neste caso, para aliviar o stress do dia-a-dia. A fragilidade da vida, a podridão do ser humano e a vontade sempre presente de transgredir regras são muito bem exploradas em ambas as narrativas. Fica a dica de um ótimo livro e de um filme que prende à atenção do início ao fim.

rubemfonseca11.jpg

                                                                        Rubem Fonseca

10 coisas para ter antes de morrer

Setembro 16, 2007 at 6:30 pm | In consumo, revistas, sociedade, valores | 5 Comments

Que nós vivemos no capitalismo, e que o individualismo e os projetos pessoais são super-valorizados nós já sabemos. Isso se mostra muito presente na mídia e onde quer que paremos para percebê-los.

Foi numa dessas revistas para mulheres.. edição especial da Veja. O título da “reportagem” era “10 coisas para ter antes de morrer”. Eram tópicos, cada um por página, apenas descrevendo o produto e ilustrados com uma foto dele. O primeiro era um jogo de lençóis de algodão egípicio, seguido por coisas como um par de sapatos Manolo Blahnik, um anel solitário de 2 quilates da Tiffany, o celular touch screen da LG com design Prada, entre outros.

 celular-prada.jpg

São os meios de comunicação trabalhando arduamente para a imposição de padrões de vida e, principalmente, de consumo. Vamos pensar nas pessoas que não podem comprar o que diz uma revista  que todos devem ter. Está excluída. Ou até mesmo em quem pode comprar mas se questiona “porque eu tenho que querer isso?”. Outra excluída. Mais uma prova da veracidade da seguinte afirmação: o critério de inclusão é a capacidade de consumo. Se você não consome, está fora. Sinto Muito. Ninguém vai se importar com isso.

Mas a melhor parte da “reportagem” ainda não foi dita: a décima coisa para se ter. “Um dia inteirinho só para você – de folga do trabalho, dos filhos e do marido. Para se divertir, ir à massagem ou pensar na vida”. É quase como um consolo: se você é excluída e não pode comprar, tire o dia livre. Além de encarar como um fardo os papéis sociais que a maioria das mulheres assume: mãe, esposa e profissional.

As revistas femininas em geral esquecem que, talvez, os objetivos da vida não se resumam a consumir. E que ainda existem pessoas que percebem isso claramente…

Participação na Política

Setembro 13, 2007 at 4:06 pm | In política, relações de poder, sociedade | 1 Comment

Na primeira semana de setembro, a semana da pátria, ocorreu em todo o Brasil um plebiscito popular entitulado “A Vale é Nossa”. O plebiscito visava consultar a população sobre a privatização da empresa CVRD, cuja legalidade é questionável, uma vez que a empresa foi leiloada por muito menos do que valia e, segundo alguns juristas, desrespeitou a Lei de Licitação.

Tudo bem. Mas o que é um plebiscito? Está na Wikipédia: 

“é uma consulta ao povo antes de uma lei ser constituída, de modo a aprovar ou rejeitar as opções que lhe são propostas.”

Os movimentos sociais, pastorais e centrais sindicais que organizaram o plesbiscito se propuseram a isso: pediram audiência com o governo federal e se dirigem a candidatos a eleições pedindo um posicionamento.

Mas e a população? É traço marcante na nossa sociedade a falta de participação nas questões políticas, bem como o descrédito com os políticos. A grande mídia faz questão de sustentar ativamente o quanto nossos políticos são corruptos, e o quanto nós precisamos cada vez menos do Estado.

Por isso, o debate levantado pelo plebiscito é interessante: faz as pessoas pensarem na coresponsabilidade que têm pelas decisões tomadas em seu país. Faz as pessoas refletirem sobre a necessidade do Estado como órgão administrador e regulador da sociedade, pra garantir o seu bom funcionamento.

Colocado o debate, parece que a maioria das pessoas é contra a privatizalção: já exitem mais de 100 ações na justiça contra ela!

Uma crítica ao plebiscito é em relação às perguntas, que claramente induziam à resposta negativa. Mas essa crítica não anula o fato de que ele troxe benefícios para a população   por colocar questões importantes em discussão.

O vídeo abaixo mostra as perguntas (e respostas…) do plebiscito:

Rotina

Setembro 11, 2007 at 4:18 pm | In responsabilidade social, sociedade, valores | 3 Comments

onibus.jpg

Fazer todos os dias as mesmas coisas. É… nós não gostamos de rotina. Estamos sempre em busca de algo que quebre a monotonia do dia-a-dia.

Eis que, num dia como outro qualquer, eu pego o ônibus e vou para a faculade. O ônibus está cheio de gente, cada um com seus compromissos e com sua vida pra seguir. Chegando o ponto, dou o sinal e me preparo para descer. Porém, atrás do último banco antes da porta, encolhido, está um homem. Um homem? Sim, um homem! Aparentava ter uns 40 anos, estava maltrapilho, como os mendigos que tanto vemos pela rua. E então… Não! A nossa rotina não é quebrada! As pessoas continuam andando, descendo do ônibus e cumprindo os seus afazeres.

Aquilo me chamou a atenção. E na minha cabeça passavam coisas do tipo: que injustiça! Como pode um homem encolhido e ninguém faz nada? Ninguém se revolta? Niguém se mobiliza? Como pode?

E daí eu penso: e se estas pessoas estiverem da mesma forma que eu? Com certeza sim! Elas ficam no mínimo com pena daquele homem. Mas tinham mais o que fazer. Assim como eu, que estava atrasada para a minha aula e tive que correr.

Pois bem. Esse é um traço bem marcante da nossa cultura. Estamos tão acostumados com a nossa vida, com as nossas coisas, em viver só para nós mesmos que não percebemos como tem gente que precisa de nós. E como podemos fazer muito para que as pessoas tenham um vida mais digna e não fazemos nada.

Porque não fazemos nada? Temos uma rotina, oras! Mas nós não a achamos ruim? Porque não a quebramos e ajudamos os outros? É, mas agora não posso refletir mais sobre isso. Tenho um compromisso.

Simpsons – O filme

Setembro 6, 2007 at 4:12 pm | In cinema, meio ambiente, sociedade, valores | 3 Comments

Críticas nunca faltaram no seriado Simpsons, existente há 20 anos e transmitido semanalmente na TV americana há 19. A crítica da vez, principal tema do filme – em cartaz desde o dia 27 de julho – é em relação ao meio ambiente. A politicamente correta Lisa se engaja nessa luta pela despoluição do lago Springfield, e seu próprio pai o polui de uma forma que o governo passa a interferir no destino da cidade.

Fazendo jus ao seriado, é evidente no filme a crítica bem humorada sobre o modo de vida , a sociedade e o pensamento do norte-americano. A começar pelo fato de ninguém se importar com o meio ambiente, das pessoas fecharem as portas na cara de Lisa e vaiarem o cantor que alerta para este perigo. Vamos ver até quando a natureza aguenta, então…

O filme também levanta algumas outras questões interessantes, em cenas curtas e marcantes. É o caso da reação das pessoas na hora do perigo: os que estavam na Igreja vão ao bar, e os que estavam no bar vão à Igreja. É uma falta de referências presente na sociedade: ninguém sabe direito ao que se apegar, e, na dúvida, se apegam às duas opções..

simpsons03.jpg

O mais marcante em todo filme, porém, é o nosso querido Holmer. Como ele consegue ser tão perdedor? Chega a ser incômodo. Há a cena em que brinca com o filho, o desafiando a fazer coisas infantis e não admitindo sua culpa; outra em que Bart chora por não ter um pai atencioso e Holmer beija a barriga de seu porco-aranha de estimação; e mais uma em que tudo que ele faz dá errado.

Holmer é o típico cara que tem bom coração, mas que só pensa nele mesmo, não tem consciência política nenhuma, não pensa na consequência dos seus atos, faz tudo sem más intenções e sempre se dá mal. Para Wiliam Bonner, os telespectadores do Jornal Nacional são todos “Holmer”. Uma bela visão da nossa sociedade, não?

Enfim, depois de 158 versões, o resultado final de Simpsons – O Filme ficou muito bom! E vale a pena refletir sobre as críticas presentes nele!
Confiram o trailer (dublado):

Holisticamente

Setembro 5, 2007 at 3:35 pm | In literatura, relações de poder, sociedade, valores | 3 Comments

Conta Luis Fernando Verissimo a história de um casal. A esposa era muito culta, sábia, e sempre falava sobre todos os assuntos nos encontros com os amigos. O marido, porém, era mais quieto, e sempre que abria a boca pra falar a esposa o reprimia, dizendo que ele só falava besteira.

Um dia, cansados daquilo, os amigos se reuniram e treinaram o marido. Combinaram um encontro e, depois de um longo discurso da esposa, o marido falou que discordava dela. Ela quase teve um troço! Como assim? Do que ele estava falando? “Você não está vendo a coisa holisticamente”, disse o marido. Daí em diante, a esposa teve tanto orgulho do marido que até a vida sexual dos dois melhorou.

Essa pequena história, presente no livro “O Melhor das Comédias da Vida Privada”, mostra a importância que damos a termos tidos como difíceis. Se uma pessoa fala com pompa e segurança, nem importa o que ela disse. O mesmo vale para os textos acadêmicos. Havia uma época em que o “intelectual” era o que não era acessível a todos.

Muitas críticas vieram, como mostra o Caso Sokal. Segundo Alan Sokal, muitos intelectuais “abusam da ciência”, e diz que textos incompreencíveis podem não dizer nada. Alguns usam como argumento que tornar textos científicos mais fáceis de ler é dizer que os pessoas não tem capacidade para compreendê-los. Pode ser. Mas abusar de palavras pomposas para se vangloriar da ignorância dos outros, como fazem alguns, é erro crasso. Aposto que eles não vêem a coisa holisticamente.

A Elite é o Lado Bom do Brasil

Setembro 5, 2007 at 10:52 am | In relações de poder, revistas, sociedade | 1 Comment

Essa chamada realmente chamou a atenção, com o perdão do trocadilho. Ela foi usada para falar de um livro lançado pelo sociólogo Alberto Carlos Almeida, entitulado “A Cabeça do Brasileiro“. O livro consiste em uma pesquisa de campo realizada pelo instituto DataUff, da Federal Fluminense. Foram entrevistadas 2363 pessoas de 103 munípios diferentes, e elas respondiam a perguntas como “Se os moradores permitirem, os empregados devem usar o elevador social?”. Logicamente, a maioria das pessoas com nível superior respondia que sim, e a maioria dos analfabetos respondia que não.

Dessa forma, a reportagem reduz todas as divergências de opinião ao nível de ensino que a pessoa recebeu. E o contexto social? Uma pessoa usou elevador de serviço a vida toda. Por que, do nada, vai achar que deve usar o elevador social? Ela não tem ética e valores por causa disso? Francamente.

O que mais se destaca na reportagem, publicada na revista Veja do dia 22 de agosto de 2007 (sério?), é que só se começa a falar do livro na segunda página. Até então, é dito como a elite é boa para o Brasil, porque ela traz a modernidade, ela tem os pensamentos “certos”, tem a “iniciativa, energia criadora, conhecimento avançado e valores democráticos” necessários para desenvolver o país. Pobre do que não tem dinheiro! (outro trocadilho…)

A impressão que se tem é que com dinheiro e estudos você sabe o que é ético, e sem dinheiro e escolaridade você apenas perpetua a desigualdade. Sim,  quem é pobre quer ser pobre! 

Agora sim, a cabeça do brasileiro foi desvendada… E viva a elite do Brasil!

Cultura…

Setembro 3, 2007 at 1:46 pm | In conceitos de cultura | 3 Comments

Muitas pessoas confundem cultura com manifestações artísticas. Porém, a arte apenas faz parte de um universo muito maior de pensamentos, ações e instituições que compõem a cultura. Já dizia o antropólogo Edward B. Tylor:

“cultura é um todo complexo que abarca conhecimentos, crenças, artes, moral, leis, costumes e outras capacidades e hábitos adquirido pelo homem como integrante da sociedade”

Este blog, portanto, irá refletir sobre acontecimentos e fatos do dia-a-dia, dos quais será exposta uma idéia central, comum a todos eles: a influência da cultura. Ela se manifesta onde menos imaginamos ou cremos que está presente. Aqui, será evidenciado que ela é construída e construtora do homem.

A proposta é fazer tudo isso de maneira agradável e próxima da nossa realidade. Espero que gostem..

E sejam Bem-vindos!

Blog no WordPress.com. | Theme: Pool by Borja Fernandez.
Entries and comments feeds.